terça-feira, 18 de maio de 2021

Dia Internacional dos Museus – 18 de Maio

 

No dia 18 de maio de 1977 o Conselho Internacional de Museus (ICOM) teve a iniciativa de implementar o Dia internacional dos Museus, com o objetivo de celebrar e conscientizar o público em geral sobre a importância dos museus no que diz respeito ao desenvolvimento da sociedade.

A Origem
Etimologicamente, a palavra “museu” teve sua origem no latim, derivando do nome grego Mouseion que, primeiramente, foi um personagem mitológico, relacionado a Orfeu, que fora educado por ninfas e tornou-se um prestigioso músico capaz de curar doenças ao tocar suas melodias. Posteriormente, ainda na Grécia Antiga, essa mesma palavra foi designada para nomear o templo das nove musas, mulheres ligadas aos diversos ramos das artes e das ciências. Essas mulheres eram filhas de Zeus e da deusa e líder do Olimpo, Mnemosine, deusa da memória e da lembrança, concebidas em nove noites e representantes das inspirações e criações artísticas e científicas, eram elas: Calíope (poesia épica), Clio (história), Erato (poesia romântica), Euterpe (música), Melpômene (tragédia), Polímnia (hinos), Tália (comédia) e Urânia (astronomia). Por isso, o seu templo, chamado Mouseion, era um lugar dedicado à contemplação e estudo literário, artístico e científico. Ou seja, estava ligado a uma das finalidades dos museus até a atualidade: a de produção do conhecimento.

Já entre os séculos XV e XVII, a prática de colecionar objetos tomou força entre os indivíduos ricos e monarcas na Europa, com a chegada de objetos exóticos, obras de arte e relíquias, que foram incorporados ou deram início a coleções. Fosse em palácios e cortes, fosse na casa de seus abastados donos, algumas pessoas podiam visitar os gabinetes das coleções para apreciá-las. Essas salas de exposições ficaram conhecidas como “wunderkammer” ou “gabinetes de curiosidades” e o gabinete mais famoso na época foi o do médico Olaus Wormius, que possuía um antiquário catalogado e tão importante que mais tarde fora comprado pelo rei da Dinamarca, Frederico III.


"Musei Wormiani Historia," Gabinete de curiosidades do Museum Wormianum.

Adiante, houve a abertura dos primeiros gabinetes para o público em geral, que ocorreu em Londres, e, seguidamente, um desses gabinetes, o de Elias Ashmole, foi doado à Universidade de Oxford em 1683, dando origem ao que se acreditava ser o primeiro museu do mundo: o Ashmolean Museum.

Entretanto, ainda que esse seja considerado um dos primeiros museus modernos, juntamente com o Museu Britânico, de 1759, derivado da coleção de Hans Sloane adquirida pelo parlamento britânico; alguns dos museus abertos ao público mais antigos do mundo ficam na Itália e datam da época do Renascimento, a maioria deles inaugurada no século XIII. Os Museus Capitolinos, por exemplo, tratam-se de um grupo de museus que ficam na Piazza del Campidoglio e tem a coleção pública de arte considerada a mais antiga do mundo. Ele foi criado em 1471 após a doação do Papa Sisto IV que continha diversas esculturas antigas muito importantes ao povo de Roma, e contém até hoje artes medievais e renascentistas, além das estátuas romanas da Roma Antiga e coleções de moedas e jóias, dentre outros objetos que disseminam sobre a história, a sociedade e cultura do local.

Séculos depois, em 1925, o arqueólogo Leonard Wooley, ao escavar um palácio na Babilônia, descobriu uma coleção de artefatos que chamou muita atenção. Eles eram de diferentes épocas e lugares e, no entanto, estavam precisamente organizados e rotulados, dando a entender que Woolley havia descoberto, de fato, o primeiro museu do mundo. Ele pertencia à princesa Enigaldi-Nanna, dedicava-se às antiguidades mesopotâmicas e marca a data de 530 a. C., com artefatos tão antigos para ela quanto a queda do Império Romano é para a atualidade. 


Hoje não há dúvidas do papel importantíssimo dos diversos museus pelo mundo, uma vez que esses locais encontram-se na dualidade entre edificação, conhecimento e educação, e expressam a partir de sua estrutura e seu conteúdo, uma consciência histórica e cultural de diversas sociedades através dos séculos.

Na História Brasileira

O Museu Real, posteriormente denominado Museu Nacional, é considerado o primeiro museu do Brasil e foi instituído no Rio de Janeiro em 1818. Seu início se deu a partir da vinda de D. João VI e da corte portuguesa para o país, e privilegia uma interpretação histórica da formação nacional tida pelas classes dominantes. Foram ignorados os conflitos formados pela invasão às terras brasileiras, e buscou construir uma identidade nacional unificada que omitia a formação social vinda da prática de colonização, domínio e genocídio. Nesses espaços, alocaram-se apresentações de belas-artes que foram tidas como símbolos nacionais e puseram no esquecimento a cultura popular.
Por sua vez, dentre os museus modernos que marcaram o país com sua inauguração, estão o Museu de Arte de São Paulo (MASP), criado em 1947, e o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), em 1948. Esse último, idealizado e criado por Francisco Matarazzo Sobrinho, o conhecido Ciccillo, rompe com as práticas elitistas difundidas no âmbito dos museus e exposições, promovendo a democratização desse espaço a partir do desejo pessoal do mecenas de que o local servisse a todos.

Ciccillo tinha uma relação de amizade com o criador do MASP antes do período em que se deu a “corrida” para a inauguração dos museus, ele conta: “Eu era muito amigo dele. Uma vez, convidou-me para almoçar na sede do velho Automóvel Clube, um clube muito fechado, na época. Perguntou porque não nos juntávamos, para realizar ali mesmo uma grande manifestação de arte, como eu pretendia fazer na Bienal. Respondi-lhe que não. O que ele queria fazer para um grupo de iniciados e privilegiados, eu desejava fazer para o povo, para o homem de rua…” (ALMEIDA, 1976, p. 37)

Atualmente, o MAM se considera uma sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos e dentre as mais de 5 mil obras de arte moderna e contemporânea que compõem sua coleção, destacam-se em principal as de artistas brasileiros. Em seu site eles afirmam que a cada dois anos o museu realiza o Panorama da Arte Brasileira, cuja exposição origina-se no mapeamento da produção artística contemporânea em todas as regiões do país. Ainda apontam que “o interesse pela arte brasileira no mundo consolidou o Panorama como uma mostra relevante no circuito artístico internacional”. Além disso, possuem projetos educativos e artísticos, ofertam oficinas, cursos, seminários, palestras, espetáculos etc, com conteúdo acessível para todos os públicos, atendendo às necessidades de forma a não haver barreiras físicas, sensoriais, mentais, intelectuais ou sociais. O atendimento escolar é gratuito e voltado para cada faixa etária, desde a educação infantil à universidade.

Desse modo, o MAM configura-se um exemplo notável de museu, e seu serviço à sociedade, exercendo o propósito de atender aos interesses dela, dissemina, no caso do Brasil, a arte brasileira em seu aspecto primordial, além de atender à finalidade de preconício do conhecimento, da educação e da compreensão histórica e cultural do país.

A Biblioteca Acervos Especiais na Universidade de Fortaleza, ainda que não se configure um museu no sentido técnico da palavra, foi dada início a partir da coleção de livros de Ciccillo Matarazzo, adquirida por Airton Queiroz e inaugurada como espaço aberto ao público em 2014, tendo recebido desde então uma audiência de aproximadamente 9 mil pessoas durante os anos. Reúne livros nacionais e estrangeiros de Literatura, História, Direito, Pareceres Jurídicos e Manuscritos, ilustrações originais de artistas, bem como livros de Arte considerados raros, como a coleção completa da Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil, formada pelos 23 volumes, clássicos da literatura brasileira com gravuras originais de grandes artistas brasileiros. Com os anos, adquiriu outras coleções como a do Arquivo da História do Ceará, organizada por Thomaz Pompeu Gomes de Matos, e a coleção Os Sertões de Euclides da Cunha, doada pelo bibliófilo cearense Pádua Lopes, que inclui a primeira edição do aclamado autor.

Portanto, a Unifor firma a Biblioteca Acervos Especiais como um equipamento cultural que projeta o livro como objeto de arte e entende-se como um espaço diferenciado, com formas específicas de atender, receber e compreender seu público, apresentando o livro raro enquanto objeto de admiração, obra de arte e símbolo a testemunhar uma época.
Edição, pesquisas e texto: Ana Wanessa Bastos e Larissa Filgueiras.

Referência ALMEIDA, Fernando Azevedo de. O franciscano Ciccillo. São Paulo: Editora Pioneira, 1976.


 


sábado, 13 de março de 2021

Semana de Arte Moderna: há 99 anos, acontecia o marco da arte moderna no Brasil

Há 99 anos, acontecia o marco do início do modernismo no Brasil. Um movimento que tornou-se referência cultural do século XX: a Semana de Arte Moderna.

Também chamada de Semana de 22, ocorreu em São Paulo, entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal da cidade. O ano não foi escolhido por acaso, intuía comemorar o centenário da independência brasileira e marcar essa nova era de independência artística no país.

Arte, use sem moderação

Matéria incrível sobre artes no jornal da Unifor. Acesse a matéria na íntegra  👉 AQUI


As bibliotecas públicas [nos EUA] fecharam as portas, mas expandiram seus serviços

Notícia recente publicada na Book Club Newsletter, do Washington Post: "As bibliotecas públicas [nos EUA] fecharam as portas, mas expandiram seus serviços. Os sites das bibliotecas transformaram-se em fontes imprescindíveis de informações confiáveis sobre a covid-19. Os bibliotecários passaram a oferecer tempos para contação de histórias on line  e assistência educacional para as crianças presas em casa. Milhões de usuários descobriram a conveniência de tirar emprestados livros eletrônicos e audiolivros." 

Os bibliotecários encontram maneiras criativas de atender às crianças quando os prédios são fechados para navegação 

Tempos de história online e kits de pickup de artesanato estão entre as maneiras pelas quais as crianças podem se conectar com os livros.

De  Haben Kelati

Leia a matéria AQUI 

(Getty Images / The Washington Post)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Os livros contam histórias que vão além do seu conteúdo escrito

 

Os livros contam histórias que vão além do seu conteúdo escrito. Pode-se dizer que possuem vida social, simbolizada através das marcas de proveniência ou propriedade e dentre estas formas de registro está o ex-libris, selo a ser colado na contracapa ou guarda dos livros trazendo a carga histórica do seu percurso. 

Utilizado há quase 4.000 anos, o ex-libris adquiriu aspectos variados de acordo com o período, desde o símbolo de poder de uma faraó, à marca de propriedade de um rei assírio, expresso em ideogramas japoneses ou em mensagem iluminada nos maravilhosos manuscritos medievais. 

Sua aparência atual persiste desde o século XV como uma pequena gravura indicando o pertencimento a uma coleção especial, podendo-se fazer um paralelo de um acervo bibliográfico pessoal à trajetória de vida de uma pessoa, refletindo suas preferências de escolha constatadas pelas leituras que acumula.

A partir da difusão do livro pela sua materialidade é possível produzir significados e efeitos socioculturais, entrelaçados pelos campos da arte, da história, da memória e do patrimônio. Essa marca de proveniência bibliográfica, traz uma leitura do livro como objeto, individualizado e personalizado de forma artística, aproximando seus leitores ao longo dos séculos e transmitindo vivências. 

Imagens de ex-líbris identificados na Biblioteca Acervos Especiais da Unifor.

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Primeira mini conferência da Biblioteca 2.0 possui o tema "Engajamento Cívico em Ação"

Seguimos Creando Enlaces  é uma conferência gratuita que reúne bibliotecários dos Estados Unidos, México e de todo o mundo para promover conhecimento profissional e trocar ideias. A Biblioteca 2.0  promove a Seguimos Creando Enlaces online de 2021 incorporando o evento da primeira mini conferência da Biblioteca 2.0 com o tema "Engajamento Cívico em Ação". A conferência será realizada online nos dias 25 e 26 de março de 2021.

Seguimos Creando Enlaces 2021 será um ponto de encontro de bibliotecários com experiências diversas, de bibliotecas públicas e acadêmicas, de ambos os lados da fronteira e de todo o mundo. A conferência é totalmente bilíngue e as apresentações são em inglês e espanhol, com serviços de tradução simultânea disponíveis. Seguimos Creando Enlaces é apresentado pela Southern California Library Cooperative em parceria com a SERRA Library CooperativeCalifornia State LibraryLibrary 2.0 Virtual Conference Series e a iSchool na San Jose State University. Esta conferência é apoiada pelo Instituto de Serviços de Museus e Bibliotecas dos EUA, de acordo com as disposições da Lei de Serviços e Tecnologia de Bibliotecas, administrada na Califórnia.

REGISTER TO ATTEND (free and online):

ENGLISH - https://creando2021english.eventbrite.com

ESPAÑOL - https://creando2021espanol.eventbrite.com 

MORE INFORMATION AND THE CALL FOR PROPOSALS:

ENGLISH - http://creandoenlaces.org

ESPAÑOL - http://creandoenlaces.org/es/

A Escola de Informação da San José State University é a patrocinadora fundadora da conferência. Registre-se como membro da rede Library 2.0 para se manter informado sobre eventos futuros. As gravações de anos anteriores estão disponíveis na guia Arquivos na Biblioteca 2.0 e no canal da Biblioteca 2.0 no YouTube.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Dicas de Leitura: ebooks da área de Biblioteconomia e Ciência da Informação

 

Nos últimos dias foram lançados alguns excelentes ebooks da área de Biblioteconomia e Ciência da Informação. Aproveito para compartilhar aqui, para quem desejar ir atualizando as leituras e a formação na área. 

Informação na Sociedade Contemporânea  
- Organizadoras: Luciana de Albuquerque Moreira, Jacqueline Aparecida de Souza e Gabrielle Francinne de Souza Carvalho Tanus
- Disponível em: https://bit.ly/3lklFk1

Atuação dos profissionais da Arquivologia, Biblioteconomia e Museologia em época de pandemia
- Organizadoras: Daniela Spudeit e Claudia Souza

Perspectivas em mediação no âmbito da Ciência da Informação 
- Organizadores: João Arlindo Santos Neto, Oswaldo Almeida Jr e Sueli Bortolin

Mediações de leitura: o ato de ler que nos conecta
- Autoras: Lídia Cavalcante, Damaris Queiroz e Laiana Ferreira

Catalogação: dos Princípios e Teorias ao RDA e IFLA LRM 
- Autores: Raildo de Souza Machado e Zaira Regina Zafalon