sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Redes sociais, Blogs e o bibliotecário: vislumbrando novas habilidades para o profissional.

Por Ana Wanessa Bastos
Aquela mesma explosão informacional do século XX, década de 40/50 ainda permanece, porém permanece de forma flutuante, líquida no espaço e no tempo. No caos informacional diziam que “informação é poder”. Hoje com o boom informacional podemos dizer “poder é compartilhamento”. “Você é o que você compartilha.” (anônimo). Conforme Santaella, 2007:
Nas comunidades virtuais, nos fóruns de discussão e nos registros, a força simbólica do mediterrâneo emerge como experiência vivida, cotidiana, simultaneamente única, coletiva e universal. No passado o mercador atuava como pesquisador nômade e promovia intercâmbios ao trazer de suas viagens elementos de culturas distantes. Na infoera, o antigo mercador volta repaginado em programas de buscas, agentes inteligentes, blogs e bloglines.
Foi a partir da década de 50, depois do fenômeno denominado “explosão de informação”, com a inserção do computador na área de tratamento e recuperação da informação que novos horizontes emergiram para os serviços bibliotecários. Desde então, surgiram mudanças de paradigmas na área de biblioteconomia.
O surgimento da Sociedade da Informação (SI), em meados da década de 70, fortificou as transformações nos paradigmas da biblioteconomia. De acordo com Oliveira (2011) “a unidade de análise da Biblioteconomia não é mais somente o livro, mas também a informação; e suas atividades, agora automatizadas, ultrapassam o espaço biblioteca.” Sendo assim, Oliveira (2005 apud Teixeira 2010) afirma:
Atualmente a biblioteconomia não está relacionada apenas a biblioteca, mas com um conjunto de ideias relacionadas à movimentação da informação em sistema de comunicação humana.
Pois bem, a partir da SI, dos avanços tecnológicos, do surgimento das novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) e da biblioteconomia aliada as TICs surge a família dos profissionais da informação, a qual o bibliotecário foi inserido. Segundo a Classificação Brasileira de Ocupações - CBO (BRASIL, 2002) são eles: bibliotecário, bibliógrafo, biblioteconomista, cientista de informação, consultor de informação, especialista de informação, gerente de informação, gestor de informação.
O número e a velocidade desses avanços tecnológicos, dos suportes e dos modos de ver e pensar tem modificado a cena do mundo atual e conseqüentemente de nosso universo profissional. Diante do exposto, cria-se uma nova imagem do bibliotecário como um profissional da informação que trata a informação e a torna acessível ao usuário, independente do suporte informacional.
Quanto as competências para os bibliotecários do século XXI, A Special Libraries Association (SLA), elaborou um estudo sobre as competências e as habilidades que os bibliotecários devem apresentar para trabalhar no momento atual, em que as transformações sociais e tecnológicas acontecem numa velocidade “imensurável”. Esse estudo originou-se no relatório "Competencies for Special Librarians of the 21st Century" (1996).
De acordo com o relatório realizado após a conclusão desse estudo, as principais competências que os futuros bibliotecários do século XXI devem possuir são: o conhecimento profundo em recursos informacionais impressos e eletrônicos e a capacidade de desenvolver e administrar serviços de informação que atendam as necessidades de grupos de usuários.
A globalização e as TICs são fatores que contribuíram para o surgimento de novas formas de organização do trabalho. Vivenciamos a era da comunicação digital, onde a Internet, por sua vez, possibilita o acesso ao ciberespaço, ambiente em que os termos informação e comunicação estam em voga. Diante disto, renovam-se as oportunidades de atuação do bibliotecários neste novo cenário, do ciberespaço.
Com a variedade de informações espalhadas e divulgadas na Internet é preciso encontrar meios de filtrá-las e alcançar as pessoas de uma forma que o conteúdo tenha valor. Pensando nisso, As redes sociais a exemplo o blog, é um dos meios? De que forma o bibliotecário do século XXI deve ser hábil no uso dessa ferramenta? Quais seriam as habilidades necessárias a este profissional perante uso das mídias de acesso às informações na Internet, a exemplo o blog? Como sugerir o uso dessa ferramenta para uma instituição?
Diante deste contexto, faz-se necessário ampliar as fronteiras do “fazer” bibliotecário – numa realidade que esta além do virtual – no ciberespaço, e visualizar a possibilidade de inovar o trabalho do bibliotecário desenvolvendo novas habilidades para o profissional, a partir de uma maior utilização e exploração do uso das mídias de acesso às informações na Internet, especialmente das redes sociais.
Pensar em redes sociais, essência das mídias sociais, é pensar em produção e disseminação de conteúdo na Internet. Nesse sentido, é de suma importância analisarmos as redes sociais e a atuação do bibliotecário nestas. Tendo em vista que um dos entraves (problemas) da área de biblioteconomia, nos tempos atuais está na difusão de informações na Internet. Pois, não adianta tratar, organizar e disponibilizar a informação na Internet se ela não está visível as pessoas (usuários/leitores - Internautas). Nas redes sociais, a exemplo no blog, os bibliotecários podem atuar como os principais colaboradores no desenvolvimento, no marketing e no uso de novos produtos de informação na Internet.
No artigo, Blogs da biblioteconomia: novo potencial para atualização profissional, 2009, Cunha aborda sobre blog, blogosfera e blogroll e contextualiza este universo ao trabalho do bibliotecário. Cunha (2009) apresenta o conceito do termo blogsfera: “A blogosfera, expressão que designa os blogs, webblog ou simplesmente blogue – termo utilizado em Portugal – é o espaço onde se localizam os diários digitais ou eletrônicos da internet.”
O blog geralmente aborda conteúdos específicos: notícias, informações, entrevistas, reportagens e furos sobre política, Câmara dos Deputados, Senado Federal e bastidores do governo. (CUNHA, 2009).
Ainda citando Cunha (2009) discorre que assim como as outras profissões, a Biblioteconomia compartilha o seu conhecimento por meio de livros, periódicos e comunicações em eventos técnicos. O blog, por outro lado, começa a chamar a atenção dos bibliotecários pelas suas características de prover um maior senso de imediatismo, interatividade e informalidade. Esse é, talvez, uma das fontes mais informais da comunicação técnica.
Cunha (2009) apresenta o diretório dos blogs Technoratii. Este rastreia os blogueiros mais influentes. É uma fonte de referência na ares de redes sociais, pois mostra quem e o que está acima, e abaixo, assim como, o que a blogosfera está prestando atenção.
Durante o curso de bibliotecas digitais ocorrido na Biblioteca Nacional, em junho deste ano, o bibliotecário Ms. Moreno Barros (2012) discorreu sobre as redes sociais no Brasil. Comentou que estas aplicadas ao trabalho bibliotecário tem um potencial a ser explorado. E mais, complementou dizendo que o projeto de rede social deve estar incluso no trabalho do bibliotecário, e entrar na carga de trabalho.” Barros (2012) atentou para a diferença entre o que está "disponível" e o que está "visível" na Internet. Trabalha conceito e atuações de curadoria digital, aponta para o bibliotecário como um curador.
No artigo disponível no Library Journal, Digital Content Curation Is Career for Librarians, 2012, Farrier acena um novo nicho de trabalho para o bibliotecário: curador de conteúdos digitais. Mostra as redes sociais, enfatiza o blog e como podemos explorar o potencial desta rede. No blog, Farrier (2012) afirma que podemos opinar sobre as questões do dia ou de nossas vidas pessoais. E os curadores de conteúdo estão focados estritamente em suas audiências. Bibliotecários devem se tornar ativos e blogueiros.
No blog, os bibliotecários devem saber onde procurar, como fazer rapidamente, e discernir a partir de estatísticas de experiência e tráfego se os leitores irão considerar um item disseminado como "puro". Sendo assim, o conteúdo deve ser puro o suficiente para atrair um grande número de leitores. Então o profissional tem que fazer o seu melhor para manter a publicidade no blog. Deve vasculhar variados conteúdos em potencial todos os dias e apresentar o melhor para os leitores de uma forma que prenda a sua atenção.
Farrier (2012) sugere que o bibliotecário de referência seja um dos 'melhores' para atuar como curador, pois a capacidade de encontrar conteúdo de forma eficiente com as preferências dos leitores/usuários em mente, é uma habilidade formada e afinada no balcão de referência – e torna-se uma vantagem na curadoria.
Nesse sentido, tudo que o biliotecário precisa é uma plataforma de mídia social, como acesso a um blog, Twitter, Facebook, ou perfil do Google +. Para que este pesquise e encontre o melhor conteúdo e adicione novos itens por dia. Mantendo o foco nos interesses de seus leitores/usuários. É necessário provar aos leitores/usuários que é uma fonte confiável afim de mantê-los a voltar para mais tempo.
 Sobre o curador e o bibliotecário. É nítido dizer que o trabalho de um bibliotecário do século XXI envolve mais do que simplesmente organizar e catalogar livros e outros documentos. E o trabalho de um curador normalmente se dar por realizar tarefas similares às de um bibliotecário ou um gerente de informações, mas, no entanto, trabalha especificamente em locais como museus, galerias e exposições. Para se adaptar às funções nesses campos, um profissional da informação deve ser extremamente bem-informado e possuir uma compreensão vasta em várias áreas do conhecimento.
No livro Um breve hitória de curadoria, Obrist (2008) reúne uma série de entrevistas com onze dos mais renomados curadores de arte, pioneiros na área, atuantes nos anos 1960/70. Neste o curador suiço Harald Szeemann (1933-2005) o qual dizia-se um organizador de exposições. A pós 1969 tornou-se o curador independente de um método que chamou de " informação seletiva e/ou seleção informativa".  Apresentou a Obrist sua percepção sobre curadores, artistas diversos, novos museus, mas focalizou, em sua respostas, o caráter da informação e o conceito de arquivo como documento. 
Contudo, Para termos uma ideia do alcance e poder das redes sociais na Internet a nível de Brasil, iremos mostar como as estatísticas comprovam que a maior parte dos internautas brasileiros estão em canais de mídias sociais – mais especificamente na subcategoria Comunidades, em que se classificam os sites de redes sociais, fóruns, blogs, microblogs e outras páginas de relacionamento. Segue a pesquisa abaixo.
O Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística - IBOPE Nielsen Online em parceria com a World Wide Independent Network of Market Research, divulgaram uma pesquisa realizada em 2011 sobre o acesso à Internet e às Redes sociais no Brasil. Nesta pesquisa, entrevistaram 28.944 pessoas em 27 países para identificar as diferenças na forma que cada país interage nas Redes Sociais.
Na presente pesquisa o Brasil ficou entre os 10 países que mais utilizam Redes Sociais. 87% dos internautas brasileiros alegaram que acessam Redes Sociais. Entre os motivos de acesso, 83% declararam por motivos pessoais, 33% por motivos profissionais. Sendo que a média mundial é de 75% por motivos pessoais, e de 25% por motivos profissionais. 
De acordo com o IBOPE Nielsen Online. O acesso à internet em qualquer ambiente (domicílios, trabalho, escolas, lan houses ou outros locais) atingiu 77,8 milhões de pessoas no segundo trimestre de 2011. Vale a pena salientar que o crescimento do total de usuários continua a ser maior na internet domiciliar. Considerando somente os usuários ativos em residências, foram 37 milhões em agosto de 2011.
A subcategoria Comunidades, em que se classificam os sites de redes sociais, fóruns, blogs, microblogs e outras páginas de relacionamento, chegou a 39,3 milhões de pessoas, equivalente a um alcance de 87% dos internautas de agosto. Esse alcance posiciona os sites sociais como a terceira subcategoria em número de usuários e mantém o Brasil com o maior alcance em sites de comunidades entre os dez países acompanhados com a mesma metodologia.
Com os resultados apresentados, o Brasil se consolidou como um mercado com elevada utilização de sites sociais, com uso diversificado, refletindo o interesse dos brasileiros pela internet e pelas mídias sociais.
Sobre Blogs e a Blogosfera
O Diretório de blogs Technorati, criado desde 2004, estuda e tem acompanhado o crescimento e as tendências na blogosfera. Neste ano, apresentou o relatório de 2011 da Blogosfera. Penn Schoen Berland realizou uma pesquisa na Internet com 4.114 blogueiros de todo o mundo. A coleta de dados ocorreu entre 01 de setembro a 26 de outubro de 2011.Um total de 1.231 entrevistados participaram da pesquisa. Os temas abordados foram: blogs e mídias sociais, blogs e meios de comunicação tradicionais, o tráfego e análise, marcas e marketing na blogosfera, as motivações dos blogueiros e conseqüências, monetização, e mudanças dentro da blogosfera de 2011.  Para ter acesso detalhado sobre o relatório acesse aqui .
Dica de leitura! Estudo mapeia competências profissionais exigidas nos próximos anos

Fonte para leitura:

4 comentários:

  1. Excelente post, Ana Wanessa! Acompanho seu blog e sempre tem informações atuais, relevantes e confiáveis!
    A curadoria de conteúdos digitais é uma realidade, realmente um nicho a ser explorado e os bibliotecários precisam atentar para isto urgentemente!
    Parabéns e sucesso!!!

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  2. O papel de diferentes profissionais que atuam no registro, guarda e disseminação de informação tem se potencializado com uso incrementado de recursos da web 2.0.
    O curador de conteúdos acaba por ser um profissional múltiplo e de muitas possibilidades.
    Vejo que um cuidado a se ter na cura de conteúdos é a acuidade nas escolhas.
    Se não for seletivo e atento pode-se "atirar" para vários alvos e acabar afastando leitores. Sentir esse humor do leitor é fundamental.
    Além disso, vejo que o curador deve ser capaz de movimentar o tema e interagir quando for necessário. Se apenas se reproduzem as notícias sem o trabalho de posicionar-se sobre o mesmo o conteúdo se transformará rapidamente em apenas um site de atualização de notícias. O que não vejo que seja o caso.
    Esse trabalho de fato é técnico, mas requer grande habilidade e sensibilidade do outro.
    Abs e vamos continuar falando sobre o tema

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  3. Esse talvez seja o grande diferencial do curador de conteúdo. Conseguir ter repertório que sustente suas sugestões de posts.
    Encontrar temas relevantes e adequá-los ao público é uma tarefa muitas vezes árdua e de "alta-costura" (requer paciência e cuidado), mas para essa função de curador tem-se que ir além: é preciso tbm posicionar-se de forma crítica e além do mais acrescentar dados de modo a complementar a sugestão de conteúdo.
    Talvez aí que morará a maior e principal dificuldade. Não somos capazes de falar com propriedade sobre tudo o que achamos interessante. O limite para o curador será seu próprio repertório! Para manter a consistência ter que estar focado não apenas ao que o seu público, mas tbm aquilo que pode comentar e contribuir com segurança e profundidade.
    Até nos Grupos de discussão isso falha...infelizmente!
    Mas tenho certeza que isso terá que acontecer. Alguns felizmente tem um dm especial para isso, donde acredito que aos pouco irá se formando uma "massa crítica".

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