Todo homem se desenha pelas escolhas que vai fazendo ao longo de sua vida. Nenhum objetivo importante é alcançado sem alguma luta, sem algum conflito consigo mesmo e com os outros. A natureza humana é contraditória e tão forte é a contenda do ser que transcende as condições de convivência do homem na terra.
Vivemos em uma articulação de conflitos e somos contraditórios, não conseguimos viver sem disputas comunicacionais quando interagimos. Minoramos esta discórdia fundamental quando no lidar em uma linguagem aberta ou um entendimento corpo a corpo. Aqui o conhecimento do outro e o que dele se diz induz a maior ou menor credibilidade e estabelece um estatuto do emissor, onde a presença do sujeito que enuncia o discurso pode marcar as expectativas que provoca no receptor.
Ao enunciar atos de informação, de forma oral ou escrita, transferimos fatos e idéias esperando convencer nossos espectadores privilegiados que irão julgar e acolher nossos feitos, ditos ou escritos e repassar esta apreciação ao longo do tempo.
O que falamos e escrevemos é para registro junto a nossas testemunhas. Nossa vida ativa acontece em uma condição testemunhal. Todos querem participação e visibilidade quando produzem enunciados, mas muitos não querem a exposição e o julgamento que disso resulta. No mundo da visibilidade nossa atuação se relaciona a esta condição de convencer e não decepcionar as testemunhas que confirmam o nosso atuar com marcos no caminho de nossa aventura existencial.
Cada um de nos tem várias e diferentes testemunhas: a família, os amigos, os alunos, leitores e os seus pares nas diversas comunidades de convivência funcional. Se não lidarmos bem com a publicidade das trocas de informação a cercearemos pelo temor do julgamento destes espectadores privilegiados. Há um recolhimento ao silencio e a quietude.
A informação não existe sem testemunhas e a memória social que se forma depende desta validação. Os estoques de memória existem, enquanto existirem as testemunhas e as testemunhas das testemunhas do que lá se encontra. A nossa escrita cria, assim, um domicílio documental de memória ao qual podemos sempre recorrer regressando para uma acolhida de atestação. As nossas narrativas mantêm nesta memória iluminada no presente. ler o artigo completo
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