Publicado por Alex da Silveira
“Um Tablet é um dispositivo pessoal em formato de prancheta que pode ser usado para acesso à Internet, organização pessoal, visualização de fotos, vídeos, leitura de livros, jornais e revistas e para entretenimento com jogos 3D” (Wikipedia) e não é de hoje que se tenta emplacar este tipo de equipamento. O IPAD foi/é um marco, pois ele trouxe algo que outras experiências anteriores não haviam buscado: a simplicidade.
ESTARIAM O E-READERS AMEAÇADOS?
O IPAD surge em um ano de crescimento mundial dos e-readers (equipamentos para a leitura de livros eletrônicos, os e-books) e como um equipamento economicamente menos acessível. No Brasil, o custo de um IPAD varia de R$ 1.600,00 a R$ 2,600,00 enquanto que o preço médio de um e-reader está na faixa dos R$ 700,00. É interessante começarmos por esta questão econômica e partirmos para a tecnológica, já que parece mais vantajoso gastar mais com um equipamento que permitirá visualizar e produzir diversos tipos de conteúdos, desde livros a jogos, que economizar e comprar um aparelho que serve apenas para ler livros.
A limitação de finalidades de cada aparelho é determinada por seu hardware e no caso dos e-readers a tela E-Ink e a lentidão dos aparelhos vem se tornando um problema. Quanto a tela, basta mencionarmos que as telas de E-Ink geralmente não emitem cores, sendo que os poucos que emitem não apresentam uma melhor qualidade. A qualidade visual da tela dos e-readers deixa muito a desejar quando o livro não está em formato epub, sendo necessários arquivos .pdf preparados para os aparelhos, e nos dispositivos que tem um navegador a experiência do uso da web é uma das piores, com baixa qualidade e lentidão. Não devemos deixar de mencionar que para a proteção de nossa visão o papel eletrônico é melhor, não emitindo o volume de radiação de uma tela LCD.
O IPAD não é um equipamento produzido especificamente para a leitura de livros, mas um microcomputador em forma de prancha com sistema operacional simplificado herdado de outros dispositivos móveis como o Iphone e o Ipod. Porém, uma atenção especial foi data a este finalidade com o Ibooks.
A LEITURA DE LIVROS
O Ibooks é um aplicativo lançado junto com o IPAD cujo a finalidade é a leitura de livros e a compra dos mesmos. É a primeira vez que o BIBLIOTECNO faz um teste em um aparelho de leitura de livros para um dispositivo móvel de tela maior (10 polegadas) que a de smartfones e o resultado foi muito satisfatório. O hardware colabora muito, permitindo a transição de páginas sem engasgos e com uma qualidade visual muito superior a de outros aplicativos para aparelhos de telas menores, algo incrível.
A tela inicial não é muito diferente de muitos outros leitores de livros para smartfones, exibindo uma estante com os livros de sua biblioteca, uma analogia ao mundo real. O layout visa lembrar que aquilo ali é um livro, dando a ideia de profundidade, diferente dos outros leitores já testados, em boa parte para o S.O. Android, onde a página de um livro parece mais uma página em um programa de edição de texto para computadores.
Passar a página é simples, basta passar o dedo para a esquerda ou direita, e configurar o tamanho de letra também. Enquanto em outros aplicativos é necessário entrar em configurações e escolher o tamanho da fonte, no Ibooks você escolhe entre fazer este processo mais trabalhoso ou realizar o movimento de pinça na tela. Ao aumentar ou reduzir o tamanho da fonte o texto se ajusta a tela, numa característica dos e-books que pode, de acordo com as configurações do usuário, aumentar ou diminuir o numero de páginas de uma publicação. Outra sutileza do aplicativo, que visa fazer um paralelo com o mundo físico, são os marcadores de páginas inseridos no canto superior do documento. O programa também permite escolher diversos tipos de fontes (tipologia) e fundo, ou seja, você pode escolher se que uma folha branca ou um tom sépia, mais parecido com papéis antigos, além do controle de luminosidade.
Uma grande diferença entre os tablets, na função de leitores de livros, e os e-readers é que devido a tela dos tablets permitir cores e uma riqueza maior de detalhes torna-se agradável termos ilustrações, em cores, nas obras, algo já presente no livro impresso, e até mesmo vídeos e outras interações, como no caso de “Alice…” para IPAD.
O que vem mudando ao longo dos últimos anos em relação a leitura de livros é a pesquisa em obras de referência. Muitas pessoas ao invés de recorrerem a um dicionário impresso realizam suas pesquisas em computadores, devido a praticidade de buscar diretamente um termo, bastando digita-lo. No Ibooks isto vai além, pois, não é preciso sair do livro, bastando selecionar o termo e ver sua definição. Também é possível buscar termos nas obras, algo não muito comum entre os aplicativos de leitura de livros eletrônicos.
Outra característica comum a outros aplicativos é que o sumário serve como link para as partes do livro, porém, enquanto a maioria dos e-books apresenta esta função exibindo páginas que mais parecem websites de links dos anos 90, os livros do Ibooks apresentam uma maior preocupação com o visual desta parte do livro, não dando a ideia de que algo a parte.
E para finalizar com o Ibooks a função de acelerômetro do aparelho foi muito bem utilizada pelo aplicativo. Ao girar a tela não vemos apenas a mudança de vertical para horizontal de uma página, mas a exibição (em modo horizontal) de duas páginas com o direito a dobra da lombada. Um aspecto que demonstra a necessidade do vinculo do livro digital com o livro em papel e que mantem a proporção do tamanho da página do documento.
A LEITURA DE JORNAIS E REVISTAS
Outro grande diferencial de experiência é a leitura de jornais e revistas no equipamento. Enquanto o Kindle, por exemplo, trata tudo como uma coisa só, ou seja, você terá o jornal como o impresso, ou pior, em preto e branco, no IPAD, os aplicativos das mídias jornalísticas apresentam características bem interessantes e que mudam a forma de leitura.
Testamos o aplicativo do jornal O Globo e a primeira coisa que se percebe é que torna possível gerar um produto híbrido, como novas experiências. Com o migrar para a web, quase a totalidade dos jornais criou um segundo produto, ou seja, seu portal de notícias na web, em nosso exemplo o “O Globo Online”, porém, no aplicativo de “O Globo” há uma certa fusão entre os produtos. Você vê as notícias mais relevantes do “O Globo Online”, as mais recentes em tempo real e a edição do jornal conforme o impresso.
É bom relembrar neste caso um evento que o Bibliotecno cobriu no início deste ano (Readers 2.0) com a Aline Polycarpo, Coordenadora de Novos Projetos da área de Novos Negócios da Infoglobo, onde se mencionou que o jornal no IPAD ainda está em um estágio de testes, uma era beta, e que devido às possibilidades do IPAD eram necessários estudos e análises para verificar possibilidades de exibição desta publicação no dispositivo da Apple. Uma das possibilidades mencionadas seria a de substituir algumas imagens, na diagramação do jornal, por vídeos.
O QUE É O IPAD NESTE PROCESSO DE MUDANÇA?
Algumas coisas começam a mudar com o dispositivo:
- Uma possível popularização de dispositivos móveis com telas que variam entre 7 e 10 polegadas.
- A possibilidade de explorar mais ainda a integração de diversos tipos de documentos (vídeo, texto, áudio).
- Mudanças na produção visual de um livro, onde o usuário faz parte com a escolha de tamanho e tipo de fonte, cor de fundo da página e outras características.
- Uma mudança drástica no documento jornalístico, onde o produto digital, oriundo do impresso, passa a se relacionais cada vez mais com o portal de notícias da empresa jornalística.
- Com outros tablets no mercado, e outros aplicativos de leitura de livros, podemos pensar em compartilhamento de conteúdo e maior facilidade na produção de livros para novos autores, além da possibilidade de vislumbrar no futuro a criação de livros produzidos socialmente.
O IPAD é apenas uma fase em que mais um tipo de dispositivo passa a entrar no mercado de “leitura” de conteúdos diversos. Isto significa duas coisas importantes: A evolução da mobilidade e a simplificação da tecnologia.
Fonte: http://www.linkedin.com/
bibliotecnico.com.br
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