segunda-feira, 10 de maio de 2010

Pará - o estado com mais cidades sem bibliotecas

O 1° Censo Nacional das Bibliotecas Públicas destaca dados alarmantes

O 1° Censo Nacional das Bibliotecas Públicas, realizado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) a pedido do Ministério da Cultura e publicado no último dia 30 de abril. Os dados são alarmantes. Não há bibliotecas públicas em 1.080 dos 5.565 municípios brasileiros. Em 660 municípios há bibliotecas em fase de implantação ou reabertura, e em outros 420 não há nem sinal de bibliotecas.

O estudo também indica que as doações respondem por 85% do acervo das 4.763 bibliotecas municipais do país e que apenas 429 delas oferecem serviços para deficientes visuais.

Censo Norte


Ranking por Estado


Ranking por capitais

O censo nacional mostra que, em 2009, 79% dos municípios brasileiros possuíam ao menos uma biblioteca aberta, o que corresponde a 4.763 bibliotecas em 4.413 municípios. Em 13% dos casos, as bibliotecas públicas municipais ainda estão em fase de implantação ou reabertura e em 8% estão fechadas, extintas ou nunca existiram. Considerando aquelas que estão em funcionamento, são 2,67 bibliotecas por 100 mil habitantes no país.

Pará o estado com mais municípios sem bibliotecas



O Pará tem o maior índice de municípios que possuem bibliotecas na região (77%), enquanto Amazonas tem o menor (37%). O Norte tem uma média de 2,01 bibliotecas por 100 mil habitantes. Tocantins é o líder regional e nacional neste quesito (7,73), seguido de Rondônia (2,59), Amapá (1,75), Roraima (1,66), Pará (1,60), Acre (1,44) e Amazonas (0,70).

O município do Norte com maior número de bibliotecas por 100 mil habitantes é Itatituba/PA (1,56), seguido por Castanhal/PA (1,23) e Palmas/TO (1,06). Entre os piores índices estão Manaus/AM (0,05), Belém/PA (0,06) e Ananindeua/PA (0,19).

A região tem 51 municípios que receberão kits de implantação de bibliotecas. No Norte, o Pará é o estado em que o governo federal precisará investir mais, pois 21 municípios não têm o equipamento. As cidades que não receberão kits já estão reabrindo ou implantando suas bibliotecas.

“Me parece tanto incrível não ter biblioteca num município grande e rico como Tucuruí como num município pequeno e pobre como Anajás, que, justamente por isso, precisa de mais ajuda do estado. Gostaria de colocar o seguinte: não há desenvolvimento social sem biblioteca”, comenta em seu blog o doutor em comunicação Fábio Castro, ex-secretário de Estado de Comunicação e professor da Universidade Federal do Pará.

Belém tem o quinto pior índice do Brasil

Na lanterna da lista está João Pessoa que não tem nenhuma biblioteca pública funcionando, pois a única da cidade está em reforma. Belém tem apenas uma biblioteca pública. Curitiba tem 55. Brasília tem 20. Belo Horizonte tem 15.

Ter uma biblioteca, apenas, num município com 1.437.600 habitantes significa ter 0,06956 não-biblioteca para cada grupo de 100 mil habitantes. Um dos piores índices do Brasil. A vizinha São Luis tem um índice bem superior: 0,200582. Palmas tem um índice invejável: 1,060192. Pior do que Belém há apenas quatro outras capitais.

Ocupa a 23ª posição no ranking de equipamentos de leitura. Há apenas 119 bibliotecas públicas no estado inteiro, o que faz 1,601395 biblioteca por 100 mil habitantes. Para se fazer uma comparação, esse índice é de 7,739633 no Tocantins, 4,527074 em Santa Catarina, 4,148018 em Minas e 4,003985 no Rio Grande do Sul.

Mesmo quando comparado com estado mais pobres, o Pará sai perdendo. Por exemplo, o Piauí tem o índice 2,575251; Rondônia tem 2,593209; Alagoas tem 2,883298 e Sergipe tem 3,020282.

Pará: 14,5% das cidades não têm bibliotecas

Há 21 municípios sem biblioteca no estado. São eles: Almeirim, Anajás, Bagre, Bonito, Bujaru, Cachoeira do Piriá, Capitão Poço, Faro, Garrafão do Norte, Itupiranga, Novo Progresso, Oeiras do Pará, Redenção, Salinópolis, Santa Maria do Pará, Santarém Novo, São Domingo do Araguaia, Terra Alta, Tomé Açu, Tracuateua e Tucuruí.

No Acre, há apenas três municípios sem biblioteca. Apenas um no Amapá, apenas dois no Amazonas. Nenhum em Roraima.

“Em minha opinião o ponto número um de uma política cultural é aumentar o volume de leitores e o volume de livros circulando na praça. Isso significa aumentar o número de bibliotecas, de livros em bibliotecas e de livrarias no estado. É preciso ter um plano para uma economia do livro e de leitura. Isso não significa falar, necessariamente, em feiras do livro, pelo menos não em feiras do livro com esse modelo demo-tucano que persiste no Pará. Isso também não significa falar em publicidade, mas em ação pública”, critica Fábio Castro.

(Diário Online, com informações da FGV e do blog Hupomnemata)

Nenhum comentário:

Postar um comentário