

Estrutura: pisos de vidro intercalam os móveis da Biblioteca Nacional para sustentar o peso dos livros
Cearenses: no Museu Nacional de Belas Artes é possível se deparar com as obras de Zé Tarcísio e Antonio Bandeira, localizadas na Galeria de Arte Brasileira Moderna e Contemporânea
A Biblioteca Nacional e o Museu Nacional de Belas Artes, verdadeiros monumentos localizados no Centro do Rio de Janeiro, são ótimos pontos de partida para um passeio cultural
No entorno de um centro histórico por excelência, o visitante de primeira viagem se espanta com a grandiosidade. Ali, saindo do metrô, os prédios se erguem como se ali tivessem fincado raiz, e tudo ao redor, inclusive o intenso transitar das pessoas, fosse mero cenário. Estamos em pelo janeiro na Praça da Cinelândia, rodeada pelo Theatro Municipal, infelizmente em reforma, e o Odeon.
Uma parada na Biblioteca Nacional e pouco se pode fazer além do simples apreciar. Até mesmo por conta da segurança, tão intensa, que não permite a entrada de máquina fotográfica (com razão, é verdade). Tudo fica em guarda-volumes, e o passeio - de deleite visual mais do que qualquer outra coisa - nos transporta para andares e mais andares de estantes, vistas de longe. Pisos de vidro intercalam os móveis para sustentar tanto peso, nos conta a guia.
Na memória, pequena para abarcar as ligeiras informações de um tour que corre mais do que o pensamento do visitante, alguns dados, pouco conhecidos talvez até pelo público que passa ali na calçada da frente, ilustram a importância do monumento para a produção intelectual brasileira.
Beneficiária da Lei 10.994, de 14 de dezembro de 2004, a Biblioteca tem um acervo sempre em expansão, afinal é exigido o depósito de um ou mais exemplares de todas as obras registradas, destinadas à venda ou distribuição gratuita. (Claro que nem tudo encontra-se no prédio).
Uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo e a maior da América Latina conta com a primeira edição de "Os Lusíadas" e o menor livro do mundo ("do tamanho da unha de um bebê", ressaltou a guia) que, com apenas um centímetro de comprimento, ensina o "Pai Nosso" em sete línguas. Infelizmente, isso tudo sabe-se só de ouvir falar.
Se você observa alguém sentado, concentrado, em algumas dos salões, pode ter certeza, é pesquisador ou, no mínimo, um curioso muito bem informado. Para consultar, é preciso saber exatamente o que deseja. Daí, o paradoxo do conhecimento: até para entrar numa biblioteca, é exigido do curioso mais do que curiosidade. É preciso de conhecimento anterior para expandir os horizontes da sabedoria.
Se você não é do Rio, pode ter acesso a alguns dados por meio do site da fundação (www.bn.br). Na beleza, o setor de Obras Raras é realmente fascinante. "É considerado o salão mais bonito da biblioteca", diz a senhora que deu a largada ao começo da visita.
Impressões
Depois, pequena caminhada até o Museu Nacional de Belas Artes, onde, só de pisar, sensações visuais nos ocupam a mente. Ladrilhos tão meticulosamente posicionados formam losangos e "geometrismos" sempre novos. O segurança, percebendo a empolgação da visitante de primeira viagem (no impulso de querer registrar tudo), fala com convicção que hoje não se faz mais aquilo. Assim, chega-se até a "Galeria das moldagens", com esculturas de figuras mitológicas.
No terceiro andar, onde se concentra a maior parte do acervo do MNBA, a Galeria de Arte Brasileira Moderna e Contemporânea já em si parece um labirinto com salas amplas.
Pena que o calor de janeiro, falando em termos de sensação térmica, atingisse os 50 graus. Para agravar ainda mais, as obras sofriam com o defeito no ar condicionado. Falta de uma peça, que no momento, nos informa a assessoria, já está sendo providenciada. A visita, naquele dia, dependia de ventiladores de chão posicionados ao longo dos salões.
Espanto, pelo menos para uma cearense não tão acostumada em andar por aí e ver obra de gente daqui, foi ver a escultura de Zé Tarcísio. Linda, enfeitando o centro de uma das salas, leva o nome de movimento I. Muito mais me lembrou a estática, um equilíbrio tão impossível como aquele a que o artista colocava: um amontoado de pedras "aguada" por fios metálicos saídos de um regador.
No momento mesmo, aquilo trouxe o Ceará para aquele salão perdido no Rio. Assim também, como se não pudesse esperar mais nada, deparei-me com a explosão de cores do abstracionismo de Antonio Bandeira, posicionado logo ao lado. Isso tudo no meio de 180 obras de mestres das artes visuais, distribuídos em 1.800 metros quadrados de área de exposição.
Na memória, retém-se pouco, muito mais fica de sensação, como o enorme quadro sobre o Carnaval com tons impressionistas, logo ao final de uma das salas. O nome realmente não ´ o que importa. Dentre as cores que sentimos.
MAIS INFORMAÇÕES:
Biblioteca Nacional: Av. Rio Branco, 219 - Centro Rio de Janeiro. Visitação: 2ª a 6ª, das 11h às 15h (visitas de hora em hora).
Ingresso: R$ 2,00. Site: www.bn.br.
Museu Nacional de Belas Artes: Av. Rio Branco, 199 - Centro (Cinelândia), Rio de Janeiro. Visitação: Terça a sexta-feira, das 10 às 18hs; sábados, domingos e feriados, das 12 às 17 horas. Grátis aos domingos. Site: www.mnba.gov.br.
SÍRIA MAPURUNGA
REPÓRTER
Fonte: Diário do Nordeste
link: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=732914
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